No último post, falei sobre dois fundamentais propósitos que norteiam a vida: cuidar de si mesmo e cuidar dos outros. No entanto, surge a dúvida: como posso e devo cuidar de mim? Como posso e devo cuidar do próximo? Neste post, vamos aprofundar sobre o tema explicando formas práticas de encontrar o propósito pessoal e específico.

Perguntei a um coachee que eu estava atendendo quais eram seus pontos fortes, seus talentos. Ele ficou constrangido e não estava confortável em expressar suas qualidades. Ele falou que não tinha muitos talentos, desconversou e finalmente confessou: “Não quero me gabar sobre minhas qualidades então não falo sobre isso. Prefiro ser modesto”. A partir disto, fomos conversando sobre a importância de saber e afirmar quais são nossas qualidades para podermos usá-las bem, isto é, usá-las para uma satisfação pessoal e também para contribuir para sanar, ou pelo menos, amenizar as necessidades do mundo.
É comum haver o medo de parecer arrogante e esconder os próprios talentos. Mas isto não é modéstia e apenas medo de julgamento e rejeição. A modéstia é uma qualidade admirável e não queremos mudar isso. Afinal, modéstia é sinônimo de sobriedade, ausência de vaidade, humildade, simplicidade, posturas que devemos ter pois o contrário disto é vaidade, orgulho, arrogância, luxo excessivo que não ajudam a vida de ninguém.
No entanto, quando reconhecemos os nossos talentos não o fazemos por arrogância nem por modéstia. O reconhecimento dos nossos talentos se faz a partir de fatos e para um fim determinado. E nunca fale que você não tem talentos comprovados por fatos que servem para um fim específico. Você, com certeza, com absoluta certeza, tem talentos que colaboram para a satisfação de si mesmo e também para ajudar outros.
4 perguntas para descoberta de propósito
Segue abaixo, quatro perguntas que ajudam para a descoberta de seu propósito. Essas perguntas podem trazer insights, revelações imediatas ou podem ajudar na observação da realidade para chegar nas respostas certas. Portanto, não fique decepcionado se você não as responder de primeira. Foque nas perguntas e deixe-as orbitando seus pensamentos e suas ações para encontrar as respostas.
O que eu amo?
Faça uma lista de coisas que você ama fazer na vida. Quando você tem um tempo livre, o que você faz? Quando está no trabalho, o que lhe dá satisfação? Quando você está no lazer, o que ama fazer? E nos seus relacionamentos? E quando está sonhando, o que você imagina fazer e gostar de fazer?
Em que eu sou bom?
Faça uma lista de suas qualidades, pontos fortes, talentos. Baseie-se nos resultados obtidos, nos elogios recebidos, na admiração dos outros, na sua satisfação pessoal em fazer, na facilidade em fazer e até ensinar outros. Não se compare a ninguém, nem pense no que gostaria de ser bom. Baseie-se em fatos.
O que o mundo precisa?
Logicamente, o mundo precisa de muita coisa. Porém, cada um vê algo ausente que os outros não percebem. Um médico percebe que o mundo precisa de cuidados com os doentes. Um advogado percebe que o mundo precisa de defesa para os injustiçados. Um psicólogo percebe que o mundo precisa de saúde mental. Uma faxineira, verá a necessidade de limpeza. Um segurança verá a necessidade de proteção. Eu, como coach, percebo que as pessoas precisam de objetivos definidos, autoconhecimento, autogerenciamento e mudança de mentalidade (mindset). Então, vamos lá, mais uma listinha: o que, para você, o mundo precisa?
Pelo que você pode ser pago?
Podemos fazer muitas coisas que amamos, onde somos bons e que o mundo precisa. Mas precisamos entender que receber um pagamento pelo que fazemos atesta o profissionalismo, isto é, a especialização em algo. A troca do resultado por dinheiro impulsiona ainda mais a especialização, o aprofundamento em ações e novos resultados. Faça esta última listinha sobre: O que as pessoas pagam para você fazer? Por que as pessoas pagam? Quais resultados você conquista que gera riqueza financeira?
A Intersecção
O seu propósito pessoal e específico está na intersecção destas listas. A pergunta agora é: Quais respostas são comuns nestas quatro perguntas? Se você já tem essas listas em sua mente, se alguém já lhe sinalizou em que você é bom, se você já teve experiências em ser pago pelo que você é bom, esse exercício lhe será muito fácil. No entanto, se você nunca refletiu sobre essas quatro perguntas, este pode ser o início de muitas descobertas. Veja o gráfico abaixo:

Veja as intersecções e seus resultados:
- O que você ama + O que você é bom = PAIXÃO
- O que você é bom + O que você é pago = PROFISSÃO
- O que você é pago + O que o mundo precisa = VOCAÇÃO
- O que o mundo precisa + Você ama = MISSÃO
Se houver somente:
- Paixão + Profissão = Satisfação mas com sentimento de inutilidade
- Profissão + Vocação = Confortável mas com sentimento de vazio
- Vocação + Missão = Entusiasmo mas senso de incerteza
- Missão + Paixão = Alegria mas sem prosperidade
O Ikigai, propósito de vida de acordo com o conceito japonês, somente é encontrado a partir da intersecção:
- PAIXÃO + PROFISSÃO + VOCAÇÃO + MISSÃO = PROPÓSITO.
Conclusão
Portanto, quando se encontra o propósito, também vive-se o cuidado consigo mesmo e o cuidado com o próximo. Viver o propósito é desfrutar da vida plena, vida que vale a pena ser vivida.
No meu curso: O Poder da Decisão, falo mais sobre o Ikigai. Veja lá: https://www.udemy.com/course/o-poder-da-decisao/?referralCode=A477A0EF9147B96C641
Você pode mais quando encontra seu propósito!
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